Os membros aprovaram o Plano de Ação Global para 2026, avançaram nas reformas da estrutura de governança e elegeram novas lideranças regionais para defender os territórios de vida
First published on 09/14/2026
Pelo Consórcio TICCA
A 22ª Assembleia Geral do Consórcio TICCA foi realizada virtualmente entre maio e junho de 2026, reunindo uma média de 217 participantes ao longo de quatro sessões, incluindo representantes de organizações membros, membros honorários, parceiros e observadores.
A Assembleia combinou reflexões sobre o trabalho realizado no último ano, em âmbito global e regional, com discussões voltadas para o futuro sobre estratégia, governança, regionalização, mobilização de recursos e mudança organizacional. Entre os principais resultados, destacam-se a aprovação do Plano de Ação Global e do Orçamento para 2026, atualizações sobre a reforma da estrutura de governança, a eleição de novos membros do Conselho e novas discussões sobre sustentabilidade financeira e o rumo coletivo.
Como principal órgão decisório do Consórcio, a Assembleia Geral promoveu processos institucionais e tomou decisões que contribuirão para orientar o trabalho no próximo ano. O resumo a seguir apresenta os principais momentos e resultados de cada sessão.
Sessão 1: reflexões globais, prestação de contas e direção compartilhada
A primeira sessão da 22ª Assembleia Geral do Consórcio TICCA, realizada em 26 de maio de 2026, reuniu toda a rede para avaliar o trabalho coletivo do último ano e refletir sobre os próximos passos. Na abertura da sessão, o presidente Luis Guillermo Izquierdo destacou as crescentes pressões enfrentadas pelos Povos Indígenas e pelas Comunidades Locais, que vão de conflitos armados à expansão das indústrias extrativas, e reiterou a importância da solidariedade e da ação organizada para defender os territórios de vida.
Após a aprovação da agenda das quatro sessões, os membros se concentraram em uma série de relatórios institucionais que apresentaram um panorama dos avanços alcançados e dos desafios que ainda estão por vir.
O Relatório de Ação Global apresentou 2025 como um ano decisivo, marcado pelo 15° aniversário do Consórcio e por um contexto mundial em rápida transformação. O relatório também destacou a participação do Consórcio em diálogos internacionais estratégicos, incluindo as negociações da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), o Congresso Mundial de Conservação da IUCN, os debates relacionados à Conferência do Oceano das Nações Unidas e a 30ª Conferência das Partes (COP) das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Nesses fóruns, os esforços concentraram-se na criação de espaços para os Povos Indígenas e as Comunidades Locais nos processos de tomada de decisão em âmbito global. O relatório também destacou a necessidade de fortalecer a estrutura interna da organização para dar continuidade a esse papel cada vez mais relevante. Nesse sentido, identificou como alicerces para os próximos anos uma maior coordenação, o fortalecimento da comunicação multilíngue, a melhoria dos sistemas de gestão dos conhecimentos e a sustentabilidade financeira a longo prazo.
Por sua vez, o relatório do Comitê de Membros refletiu a expansão e a crescente diversidade da rede, com a incorporação de 27 novos membros de todas as regiões, especialmente da América Latina. Junto com esse crescimento, os membros debateram formas de garantir que a representação regional e os processos de incorporação de novos membros continuem inclusivos, acessíveis e significativos, a fim de ampliar o escopo e a qualidade da participação.
Os relatórios financeiros e de auditoria, apresentados pelo tesoureiro Colin Scott e pelo auditor Marc Foggin, confirmaram uma situação financeira estável ao longo de 2025. Ao mesmo tempo, destacaram a importância de aumentar a transparência e garantir que as decisões financeiras continuem estritamente alinhadas às prioridades estratégicas. O encontro foi encerrado com uma reflexão coletiva que integrou vários dos temas abordados ao longo do dia, entre eles a necessidade de melhorar a comunicação e o intercâmbio de conhecimentos, ampliar a participação dos membros, fortalecer o papel dos territórios de vida nos processos de tomada de decisão e avançar na descentralização e na sustentabilidade financeira.
Sessão 2: Realidades regionais e compromissos compartilhados para o financiamento dos territórios de vida
Durante a segunda sessão da Assembleia Geral, as discussões passaram das questões institucionais para as realidades e prioridades das diferentes regiões, bem como para a evolução da abordagem do Consórcio quanto à mobilização de recursos. Com base nos relatórios megaregionais da Ásia, África, América Latina e da Europa, os membros foram convidados a refletir tanto sobre a diversidade dos contextos quanto sobre os padrões comuns que orientam seu trabalho.
Em todas as regiões, observou-se uma continuidade significativa dos esforços para fortalecer o reconhecimento dos territórios de vida, reforçar os sistemas de governança comunitária e responder às pressões constantes sobre a terra, os meios de subsistência e os ecossistemas. Ao mesmo tempo, os membros destacaram avanços importantes, especialmente o papel cada vez mais relevante dos Povos Indígenas e das Comunidades Locais na governança da biodiversidade, na restauração dos ecossistemas e na criação de redes regionais de solidariedade e de apoio mútuo.
A seguir, o debate centrou-se na mobilização de recursos, abordada a partir de um marco estratégico em desenvolvimento, apresentado pelo Coordenador Internacional, Ali Razmkhah. Essa abordagem foi apresentada não apenas como uma questão financeira, mas como uma responsabilidade coletiva que envolve todos os níveis do Consórcio. Nas conversas que seguiram, os membros refletiram tanto sobre as prioridades quanto sobre os princípios. Entre as prioridades centrais, destacaram-se a defesa dos territórios de vida, a autodeterminação, a governança comunitária, a defesa e o suporte direto às comunidades que enfrentam ameaças urgentes.
Igualmente importante foi o reconhecimento de que os recursos também podem assumir formas não financeiras, como a troca de conhecimentos, o apoio técnico e as contribuições para o trabalho de defesa.
Ao longo da sessão, os participantes concordaram que toda mobilização de recursos deve-se basear na transparência, na autonomia comunitária, no consentimento livre, prévio e informado (CLPI) e nos valores fundamentais que orientam o trabalho do Consórcio como movimento.
Sessão 3: Planejamento para o futuro: estratégia, orçamentos e implementação coletiva
A terceira sessão da Assembleia articulou o planejamento estratégico à implementação prática por meio da revisão do Plano de Ação Global e do Orçamento 2026. Esses documentos estabeleceram seis prioridades inter-relacionadas: participação das políticas, regionalização e colaboração inter-regional, fortalecimento das comunidades, sistemas de governança e coordenação, geração de conhecimento e mobilização de recursos.
Em vez de propor linhas de trabalho independentes, essas prioridades foram integradas a uma abordagem comum voltada para fortalecer a coerência em todo o Consórcio, articulando o trabalho de incidência externa ao desenvolvimento organizacional interno. As atualizações da equipe de política e advocacia internacional destacaram a participação prevista em processos globais, como o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, a 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD) e a 17ª Conferência das Partes (COP17) da CDB. Também foram apresentados novos projetos, entre eles o “Living Well with the Earth” e uma colaboração com a IUCN dentro da iniciativa COLOURS.
Os centros de coordenação de todas as regiões compartilharam seus planos de ação para 2026, refletindo tanto as orientações estratégicas comuns quanto a diversidade das realidades regionais. Entre as prioridades comuns, destacam-se a documentação dos territórios de vida, os processos de reconhecimento legal, o fortalecimento comunitário e a participação em fóruns internacionais de políticas.
O orçamento para 2026 foi apresentado, aprovado e estruturado em torno do apoio regional, das atividades programáticas, da comunicação, da coordenação global e da administração. Quase metade do orçamento total foi destinada ao apoio regional, reafirmando o compromisso do Consórcio com um modelo de implementação descentralizado e com o fortalecimento das regiões.
A Assembleia também aprovou a eleição de vários representantes para o Conselho. Durante o debate, também foram abordadas preocupações relacionadas aos procedimentos e à necessidade de continuar aprimorando os processos de indicação e eleição, a fim de garantir coerência, clareza e transparência em todas as regiões.
Sessão 4: Governança, eleições e evolução organizacional
A última sessão da Assembleia Geral foi dedicada às decisões relacionadas com a governança, as eleições e a evolução da estrutura organizacional do Consórcio. Os debates começaram com a análise das indicações e das eleições para os cargos regionais ainda pendentes do Conselho na África, na Ásia e nas Américas.
A Assembleia confirmou a reeleição de Marc Foggin para os cargos de Auditor e Provedor de Justiça. No que diz respeito ao seu mandato, os membros também refletiram sobre a possibilidade de desenvolver estruturas de suporte mais descentralizadas para esta função a nível megarregional, como parte dos esforços para o reforço da governança.
O Comitê de Mudança Organizacional apresentou avanços na reforma da governança e na regionalização, incluindo várias propostas concretas, como a reorganização do Consórcio em megarregiões, a reconfiguração do Comitê Executivo e o fortalecimento dos mecanismos de prestação de contas e de apresentação de relatórios em todos os níveis de governança.
Após uma sessão interativa sobre mobilização de recursos e sustentabilidade financeira, a atenção concentrou-se no acordo de patrocínio fiscal e nos processos organizacionais a ele associados. A troca de ideias deu origem a uma reflexão mais ampla sobre o compromisso e a participação dos membros, bem como sobre a relação entre as estruturas de governança e de tomada de decisão em nível global e o conjunto dos membros.
Eleições para o mandato de 2026 a 2029
Os seguintes representantes regionais foram eleitos durante a 22ª Assembleia Geral para o mandato de 2026 a 2029:

Anara Alymkulova
Representante Regional para a Ásia Ocidental e Central e o Cáucaso

Sergio Couto
Representante Regional para a Europa

Mirta Pereira
Representante Regional para os Andes e o Cone Sul

María Luisa Acosta
Representante Regional Interina para a América Latina

Amado de Jesús Ramos
Representante regional para a Mesoamérica e o Caribe

SOAVINALAHATRA Nasolo Harijery
Representante Regional para Madagascar e as Ilhas do Oceano Índico
Discussions held during the 22nd General Assembly reflected a Consortium actively working through how to evolve its structures in line with its growing complexity. Questions around governance, regionalization, membership engagement, and organizational arrangements are part of an ongoing collective effort to ensure that decision-making remains meaningful, accessible, and grounded in the realities of the Consortium’s membership across different contexts.
A clearer direction is emerging around strengthening regional capacities, improving coherence across governance levels, and reinforcing the connection between global structures and the wider membership. These are not settled pathways, but areas of work that will continue to take shape through practice, feedback, and shared experience.
The Assembly remains a unique space for the Consortium’s global network to come together, reflect, realign around shared values, and define collective priorities. We are deeply grateful to all members, honorary members, partners, observers, interpreters, facilitators, and team members who dedicated their time and energy to these discussions, and who continue to represent and support territories of life across diverse contexts.


